Publicado em 03 jun 2026 • por Keila Flores •
Uma mochila colocada sobre os ombros de um policial civil foi suficiente para provocar reflexões profundas sobre os desafios enfrentados diariamente por profissionais que dedicam suas vidas ao cuidado e à proteção da sociedade. A cena marcou uma das atividades realizadas nesta terça-feira (2), na Academia de Polícia Civil de Mato Grosso do Sul (Acadepol), durante a programação do 25º Congresso Brasileiro de Psicodrama, promovido pela Federação Brasileira de Psicodrama em parceria com a Polícia Civil de Mato Grosso do Sul.
O evento teve início no auditório da Acadepol, com a participação do Delegado-Geral Adjunto da Polícia Civil, Márcio Rogério Custódio, e do Diretor do Departamento de Gestão de Pessoas, Nilson Fonseca, que destacaram a importância de iniciativas voltadas à saúde mental e ao bem-estar dos servidores. Em seguida, os participantes foram conduzidos para uma sala de aula, em um ambiente mais acolhedor e propício à interação, onde ocorreu o sociodrama “Corpos em alerta, emoções em suspensão: estresse e saúde mental na prática policial”.
A atividade reuniu policiais civis, policiais militares, bombeiros militares, policiais penais, psicólogos, professores e profissionais de diferentes áreas e de diversos estados como Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo e países como Portugal e Espanha. Durante a roda de conversa conduzida pela palestrante, psicóloga clínica e organizacional, Dra. Maria Cecília Veluk Dias Baptista, profissional do Estado do Rio de Janeiro com atuação na área de saúde mental e relações humanas, os participantes foram convidados a refletir sobre as tensões, responsabilidades e desafios que carregam em suas rotinas profissionais e pessoais.
Em uma das dinâmicas, o Investigador de Polícia Civil, Ivan Sérgio da Silva, lotado no Departamento de Recursos e Apoio Policial (DRAP), foi chamado ao centro da sala e recebeu uma mochila para carregar. Aos poucos, os demais participantes passaram a depositar nela palavras e objetos que simbolizavam os pesos enfrentados diariamente por quem atua na segurança pública, como: responsabilidade, cobrança, risco constante de morte, pressão familiar, preconceito, entre outros sentimentos e desafios que fazem parte da rotina desses profissionais.
À medida que a mochila se tornava mais pesada, o desconforto também passava a ser sentido por quem observava a cena. O primeiro a se levantar para ajudar foi o delegado Sam Ricardo Suzumura, titular da 6ª Delegacia de Polícia Civil, que espontaneamente se solidarizou com o colega. Pouco depois, a investigadora de polícia e psicóloga Fabiana Pedraza, integrante da Coordenadoria de Apoio Psicossocial e Espiritual da Polícia Civil, juntou-se aos dois, representando o apoio institucional e emocional disponível aos servidores.
Conforme a atividade avançava, os relatos pessoais começaram a surgir e a emoção tomou conta do ambiente. Uma das participantes contou que já havia sido vítima de violência e relembrou o acolhimento recebido por profissionais da segurança pública em um momento difícil de sua vida. Emocionada, agradeceu pelo atendimento que recebeu, reforçando a importância do trabalho desempenhado por policiais e demais agentes que atuam na proteção da população.
O encontro também proporcionou uma mudança de perspectiva para muitos participantes que não atuam na área da segurança pública. Ao ouvirem os relatos e acompanharem as dinâmicas, vários deles afirmaram que passaram a enxergar os servidores com mais empatia, compreendendo que por trás das fardas, distintivos e funções exercidas diariamente existem pessoas que enfrentam medos, inseguranças, cobranças e responsabilidades, mas que também possuem sonhos, limitações e necessidades emocionais.
Ao final da atividade, ficou a mensagem que norteou todo o encontro: a importância do autocuidado e da saúde mental. A dinâmica encerrou-se com reflexões sobre apoio mútuo, empatia e a necessidade de criar espaços seguros para que sentimentos e dificuldades possam ser compartilhados, fortalecendo não apenas os profissionais, mas também as instituições e a sociedade como um todo.































