Polícia Civil destaca importância da denúncia e do enfrentamento à subnotificação da violência contra mulheres durante podcast

  • Publicado em 05 nov 2026 • por Carlos Eduardo Orácio •

  • A coordenadora do Núcleo Institucional de Cidadania (NIC/DGPC), delegada Priscilla Anuda Quarti participou, nesta quinta-feira (5), de um podcast realizado na sede do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Mato Grosso do Sul (Sindimóveis/MS), em Campo Grande, para discutir a segurança das mulheres, os desafios do enfrentamento à violência de gênero e a importância da prevenção ao feminicídio.

    Na ocasião, a Delegada destacou a necessidade de ampliar a conscientização da sociedade sobre a violência doméstica e familiar, especialmente no que se refere ao combate à subnotificação, fenômeno caracterizado pela ausência de comunicação às autoridades de situações de violência vivenciadas pelas vítimas.

    Um dos dados apresentados durante a conversa evidencia a gravidade desse cenário: dos 29 casos de feminicídio registrados em Mato Grosso do Sul em 2026, em 23 deles as vítimas nunca haviam registrado boletim de ocorrência.

    O dado reforça a importância de incentivar a procura pelos serviços de proteção e de ampliar os mecanismos de identificação precoce das situações de violência, antes que elas evoluam para desfechos fatais.

    A subnotificação é um dos grandes desafios no enfrentamento à violência contra as mulheres. Quando uma situação de violência não chega ao conhecimento dos órgãos de proteção, torna-se mais difícil identificar os riscos e adotar medidas preventivas. Precisamos fazer com que as mulheres saibam que não estão sozinhas e que podem procurar a Polícia Civil para receber orientação, acolhimento e proteção, destacou a Delegada.

    Durante o podcast, também foi ressaltado que a violência contra a mulher não se limita à agressão física, podendo se manifestar por meio de violência psicológica, moral, sexual e patrimonial. O reconhecimento dessas diferentes formas de violência é fundamental para que as vítimas e a sociedade identifiquem os sinais de alerta e busquem ajuda.

    A responsável pelo NIC enfatizou, ainda, que o enfrentamento à violência contra meninas e mulheres exige uma atuação que vai além da investigação criminal, envolvendo acolhimento humanizado, avaliação de risco, encaminhamento à rede de proteção e acompanhamento das situações que demandem atenção especial.

    Nesse contexto, foram destacadas as ações desenvolvidas pela Polícia Civil de Mato Grosso do Sul para qualificar e padronizar o atendimento às vítimas, especialmente por meio da implementação do Protocolo Institucional de Atendimento às Meninas e Mulheres Vítimas de Violência Doméstica, Familiar e de Gênero.

    O documento estabelece diretrizes para o acolhimento humanizado, a escuta qualificada, a identificação dos fatores de risco e a adoção de providências urgentes de proteção, reforçando que o atendimento inicial deve ser realizado pela unidade policial procurada pela vítima, independentemente de se tratar de delegacia especializada.

    A participação no podcast também proporcionou um espaço de diálogo com a sociedade civil, reforçando que o enfrentamento à violência contra as mulheres é uma responsabilidade coletiva e que a informação desempenha papel essencial na prevenção.

    Ao promover o debate em diferentes espaços da sociedade, a Instituição busca ampliar o acesso à informação, estimular a comunicação das situações de violência e contribuir para que mais mulheres tenham acesso à proteção antes que a violência alcance consequências irreversíveis.

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