Campo Grande (MS): Terminou nesta sexta-feira (12) o curso de Combate à Corrupção e Recuperação de Ativos, promovido pelos Estados Unidos, o qual contou com a participação do Delegado-Geral Adjunto da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, Adriano Garcia Geraldo. O curso foi realizado em Botswana, na África, e contou com a participação de representantes da Bahia, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Espírito Santo.
De acordo com o Delegado-Geral Adjunto, além de todo o conhecimento adquirido, o encontro foi uma oportunidade de troca de informações entre os próprios brasileiros que participam.
“Foi uma oportunidade de interação das medidas para aplicação no Brasil. Foi possível a troca de experiências para o caso de uma operação internacional. Um curso extremamente válido e estou muito satisfeito em poder ter tido a oportunidade de representar o Mato Grosso do Sul”, destacou.
Ele explicou ainda que as embaixadas dos EUA nos países que iam participar foram convidadas a mandar currículos e, dentre os enviados aqui do Brasil, o dele foi um dos selecionados.
“Os EUA possuem academias internacionais de aplicação da lei com sedes em Botsuana, El Salvador, Tailândia… onde centralizam cursos compartilhando informações e capacitando policiais ao redor do mundo. Em regra, os brasileiros sempre participaram em El Salvador. Esta foi a primeira vez que houve convite para participar no continente africano”, destaca.
Os custos de passagem, alimentação, transfer foram pagos pelos EUA para todos os participantes.
PCMS
A capacitação apresenta um panorama sobre a construção de mecanismos, dispositivos e ações, em nível internacional, para o combate à lavagem de dinheiro.
Entre os avanços no combate à corrupção e recuperação de ativos estão a Convenção de Mérida de 2003, que estabeleceu diretrizes de combate à corrupção no seio das Nações Unidas, e o Grupo de Atuação Financeira Internacional (Gafi), que estabeleceu 40 recomendações adotadas por 180 países. Entre elas, estão a tipificação de lavagem de dinheiro, a adoção de medidas preventivas – como o congelamento e perdimento de bens – e a criação de uma unidade de inteligência financeira.
Desde 2003, o Brasil conta com uma rede interinstitucional, criada pelo Ministério da Justiça, na qual são pensadas e colocadas em prática ações programáticas para uma atuação sistêmica contra a lavagem de dinheiro.
Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil inaugurou em 2014 o Laboratório de Tecnologia contra Lavagem de Dinheiro (LAB-LD/PCMS), através de convênio firmado entre a Secretaria Nacional de Justiça (SNJ) e a Secretaria de Justiça e Segurança Pública do Estado.
O objetivo do Laboratório de Tecnologia sul-mato-grossense é fazer uso de soluções de análise tecnológica de grandes volumes de informações e das melhores práticas em hardware, software, unidos a adequação de perfis profissionais para fazer frente aos crimes de lavagem de dinheiro.
Desde sua criação, o LAB-LD/PCMS vem atuando em diversos casos reais e específicos de lavagem de dinheiro, assessorando investigações policiais de todo o Estado de Mato Grosso do Sul, contando com profissionais especializados em tecnologia e análise no apontamento de indícios de ilicitude no que tange o crime de lavagem de dinheiro.