Polícia Civil, por intermédio da 5ª Delegacia, efetua a prisão de receptadora de insumos hospitalares subtraídos do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian e identifica a funcionária pública que praticava os desvios.
Investigações em curso na 5ª Delegacia de Polícia Civil descortinaram que uma enfermeira contratada pelo Hospital Regional de Mato Grosso do Sul Rosa Pedrossian estava desviando insumos hospitalares (testes para a medir o nível de glicemia, gazes, pomadas diversas, seringas, agulhas, sondas, géis, êmbolos, soros, coletores de urina, etc) adquiridos pelo Estado de Mato Grosso do Sul para servir à população, os quais estavam sendo vendidos a uma Casa de Repouso para idosos, localizada no bairro Monte Líbano, em Campo Grande.
Assim, as diligências identificaram, inclusive, que insumos, em cujas caixas constava a inscrição “venda destinada a órgãos e hospitais públicos, estavam sendo descartados na lixeira da Casa de Repouso, o que demonstrava que a aquisição desses bens desviados era rotineira, ademais de total descaso com o erário e, com a saúde da população sul-mato-grossense.
Fato é que os trabalhos policiais trouxeram à luz que nesta segunda-feira a enfermeira, que além de possuir vínculo contratual com o Hospital Regional também trabalha na Casa de Repouso, havia comercializado insumos hospitalares para esse local.
Consectariamente, visando recuperar os insumos cuja utilização à população sul-mato-grossense foi obstada pelos autores dos crimes, sendo destinados à atividade comercial privada, além de efetuar a prisão dos responsáveis, policiais da 5ª Delegacia de Polícia realizaram vistoria na mencionada Casa de Repouso, o que culminou na apreensão de centenas de insumos hospitalares desviados do Estado de Mato Grosso do Sul.
Chamou a atenção dos policiais o fato de que em muitos insumos encontrava-se inscrito o nome de pacientes do Hospital Regional, o que demonstra que, apesar de prescrição médica, eles não foram direcionados à utilização dessas pessoas, o que pode ter resultado no agravamento do quadro de saúde delas.
Dado a quantidade e variedade de insumos apreendidos, cuja maioria encontrava-se escondido em uma sala cuja porta permanecia trancada, constatou-se que esse material não estava sendo adquirido pelos meios legais pela Casa de Repouso, mas sim, obtidos a preços muito menores em decorrência dos desvios realizados em detrimento do Hospital Regional.
Questionada, a proprietária e responsável pela Casa de Repouso ora alegou que os insumos eram “doados” pela enfermeira responsável pelos desvios e, noutros momentos, que não sabia como eles “haviam chegado ao local”.
Diante desse quadro, a proprietária foi presa em flagrante pela prática do crime de receptação na modalidade qualificada, porquanto além de destinados à atividade comercial os insumos hospitalares foram desviados do Estado de Mato Grosso do Sul (Hospital Regional), delito que, em razão da pena preconizada pelo Código Penal, não possibilita que o Delegado de Polícia arbitre fiança.
A investigação teve o apoio irrestrito da Diretoria do Hospital Regional Rosa Pedrossian.
Já a enfermeira responsável pela subtração, a qual não se encontrava na Casa de Repouso no momento da atuação policial, responderá pelo crime de peculato-desvio, cuja pena máxima é de até 12 anos de prisão.
Sobre o prejuízo suportado pelo Hospital Regional, está sendo quantificado pela área técnica dessa unidade de saúde.